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Convivência na pandemia

Em tempos de pandemia, o improvável acontece. E viver agora não tem parâmetros, porque as pessoas ainda não entenderam o “modus operandi” do novo coronavirus. Sem certeza sobre nada além das orientações de medidas sanitárias, as famílias dentro de casa acompanham o gráfico estatístico de óbitos e contaminados, como se fosse o “relógio do fim do mundo”.

Em março, quando governos e a Organização Mundial de Saúde decretaram o Isolamento Social, muita gente vislumbrou a oportunidade de estreitar os laços familiares, seguir de perto o comportamento dos filhos e aprimorar os relacionamentos. Mas depois de quatro meses, o cenário mostra que a ocasião não é propícia e muitas intenções seguiram caminhos diferentes. Bastaram 120 dias para as pessoas confinadas passarem a se “estranhar” dentro do próprio lar.

Para a psicóloga especialista em Terapia Cognitiva Comportamental, Marli de Carvalho Ferreira, o isolamento das famílias imposto pelo novo coronavirus, obriga a todos a buscarem novos formatos de se relacionar e conviver. “Tudo fica mais volumoso e desafiador, no entanto é importante perceber que muitos dos conflitos que se intensificaram na quarentena já estavam presentes e a quarentena veio trazer uma lente de aumento sobre uma situação que, com certeza, já existia”, afirmou.

Segundo ela, quando as coisas desmoronam atreladas à história que já se desenvolvia antes do vírus, dá-se o pior dos cenários “e, com o apagar das chamas, o que era infinito deixa de sê-lo”. Acrescentou que o sistema familiar muda à medida que a sociedade se transforma, de modo que as pressões internas e externas podem abalar essa estrutura, colocando à prova os laços afetivos. Nesse caso estão os filhos que agora estudam remotamente e que muitas vezes exasperam os pais, também dentro de casa, porque não acompanham as aulas on-line em função de maiores interesses nas redes sociais.

Outra consequência da quarentena, retratada diariamente na mídia, foi o aumento de casos relacionados à violência doméstica. De acordo com Marli, o confinamento residencial foi um movimento forçado pela pandemia, gerando ansiedade pelo risco de contágio e outras variáveis de ordem emocional, que refletiram nos relacionamentos:

“A vivência diante do desafio da vida se apresenta frequente, contínua, sem qualquer trégua, fazendo com que os elementos que vinculam casais e famílias se diluam de tal forma, que não lhes resta outro caminho. O amor se transforma em desesperança”.

Entretanto, Marli acredita que algumas atitudes podem reverter esse cenário, tais como:

  • ter praticidade e não mudar a rotina além do necessário;
  • cuidado com as palavras e com o tom que se fala com o outro;
  • manter a calma e procurar caminhos para solucionar o problema;
  • exercitar a paciência e ser flexível para não contabilizar pequenos erros;
  • usar as palavrinhas mágicas: me desculpe, por favor, obrigado e o
    mais importante: “eu te amo”.

Marli de Carvalho Ferreira
Psicóloga CRP 04/48245

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